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terça-feira, 13 de julho de 2010

Soneto da Separação



De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se espuma
E das mãos espalmadas fez-se espanto


De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama


De repente não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente


Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente não mais que de repente.


Vinícius de Moraes

"É difícil ir quando se quer ficar.
Sorrir quando se quer chorar.
Mas, o difícil mesmo, é Esquecer quando se quer amar."

domingo, 11 de julho de 2010



"Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?"

Fernando Pessoa

O Mundo Ficou...


"Alguém, algures, decidiu dar-me um livro em branco, tantas folhas preenchidas com nada.

O livro que escrevi com o teu nome em cada paragráfo, com o teu cheiro em cada página, com o teu rosto em cada palavra, com o nós em cada vírgula, esse que estava naquela mesa de cabeceira ao lado da minha cama naquele quarto dentro daquela casa que construiste de uma só vez no meu coração, em que moraste por pouco tempo. Cada segundo parecia um ano, cada noite uma década, cada dia tudo.

Rasguei todas as folhas, as deixei voar no vento, a água ficou com umas, o céu outras, o mundo todas. O mundo ficou com o meu amor por ti, tu o poderas esquecer, eu? Não. De ti lembrarei sempre com o soprar do vento com o reflexo do espelho, com o ir e vir da água, mas doer? Já não doi, amar? Ja não amo, querer? Já não quero.

Naquele livro só o meu nome e a data se sabe, o resto em branco, folhas sem fim, rascunhos muitos, verdades poucas. Com uma caneta rabisco aquela folha de papel, somente desenhos saem, palavras não tenho, procuro-as… mas nem eu sei o que dizer."

Lara Pereira da Silva - by site Mulheres e Letras